quarta-feira, 5 de maio de 2021

 

Para o/a filho/filha que um dia vou ter:

Meu amor, tudo o que tenho vivido é por você. Desde que me entendo por gente, sinto que te amo, mesmo sem saber quando você chegará. Quando busco ser alguém melhor, é para que você tenha esse melhor na sua vida e possa perpetuar em nossas raízes tudo de bom que ainda irei lhe ensinar.

Nasci pra ser mãe, sinto isso desde sempre. Espero cuidar de você de uma forma que nunca cuidaram de mim. Que eu possa te amar, mas não ao ponto de não te corrigir quando precisar. Que eu possa te ensinar pelo exemplo, pois são essas as lições que ficam arraigadas na gente.

Seremos amigos, e você não será o meu espelho – isso eu não quero, você será um ser humano independente, terá suas próprias escolhas, suas opiniões, orientações – o que quero fazer é garantir que sejam responsáveis, honestas, justas e respeitosas, sejam quais forem. Eu te amo, mesmo antes da sua existência em minha vida, e é por você que busco, a cada dia, ser um pouco melhor – mesmo não sendo perfeita. (E me perdoe se eu falhar com você, juro que sempre farei de tudo para corrigir os meus erros e não acobertar os teus.)

E essa minha busca, um dia será também a sua. Mais pra frente a de meus netos, bisnetos e por aí vai. Iremos quebrar a corrente de sofrimento e desamor que têm sido a grande miséria dos que nos antecederam. Conosco nascerá uma nova linhagem, baseada no amor.

Com muito carinho.

Sua mãe.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

 

Então, eu cheguei até aqui...

Não sei bem como e nem por onde, mas aqui estou eu. Fico pensando no que me tornou a pessoa que sou hoje – todas as falhas, todas as conquistas, minhas forças, virtudes e medos.

Não acredito em predestinação, sou do time que entende que toda ação gera uma reação e assim a vida se constrói. No entanto, o que me levou a ser dessa forma? Por que será que reagi de “N” maneiras aos acontecimentos pelos quais passei?

Do que somos feitos? Como nos tornamos o que somos, mesmo sem querer ou agir para tanto? De que lugar saem nossa moral, ética e dogmas? O que é essa coisa, que chamamos de consciência e que nos molda?

A minha certeza é a de que não somos uma folha em branco (mil desculpas, Mr. John Locke), porque se assim fosse, eu não seria quem sou hoje.

Por hoje é só – a terapia me deixou pensativa e quero digerir esse tanto de dúvidas!


Who am I? Firewind (No meu caso, não sei, só sei que sou assim!)

quarta-feira, 14 de abril de 2021

 

PERDÃO, A CULPA NÃO FOI MINHA...

Quando criança aprendi que não deveria mentir, e sempre deveria assumir os meus erros, pois só é justo e corajoso quem “bate no peito”. Era uma fala semelhante à que muitos meninos crescem ouvindo: “Seja homem!”, mas com outras palavras.

Desde cedo, aprendi que era responsável pelo que os outros sentiam. Tive uma mãe extremamente narcisista, que ao menor sinal de descontentamento com algo que eu fazia / deixava de fazer, soltava a frase que mais impactou a minha infância: “Eu vou me atirar debaixo de um trem.”  (Você deve imaginar o pavor que tenho de trens. E hoje, moro bem ao lado da via férrea, escuto trens passando a cada meia hora.)

Essa semana, li um artigo de opinião maravilhoso no espaço Universa, do portal UOL. O título é: Por que nós, mulheres, estamos sempre pedindo desculpas? Muito bem escrito pela Daniela Cachich, que é sênior vice-presidente de marketing da PepsiCo Brasil Alimentos, e também porta-voz da campanha #megostosemdesculpas.

No texto, ela fala de maneira bem clara a respeito da coisa que mais me incomoda como pessoa: desculpar-se por uma culpa que não lhe pertence. Desculpar-se por ser quem é, como é. Preste atenção ao trecho a seguir, extraído do texto de Daniela:

“Somos ensinadas que não somos responsáveis só pelos nossos próprios sentimentos, mas também pelo dos outros. Meninas são ensinadas a respeitar mais o que as outras pessoas pensam do que seus próprios pensamentos ou sentimentos.”

E é exatamente isso. Cada palavra desse trecho é real. Ser mulher, aos poucos, torna-se um peso. Para quem tem o mínimo de empatia, viver com a culpa é devastador. O pior, é que ela, a culpa, anda de mãos dadas com a vergonha. Vergonha do que talvez tenhamos levado os outros a fazer, vergonha porque o outro sofreu com o seu NÃO, vergonha por existir e por aí vai.

A destruição emocional é tanta, que faço terapia para lidar com isso. Sim! Faço terapia para deixar de me culpar pela atitude alheia, para pensar no meu próprio bem-estar antes da vontade do outro. E isso é cruel. Precisar que alguém me diga que eu não sou responsável pelo poço em que o terceiro se atirou sozinho.

É preciso, com urgência, que a nossa sociedade pare com isso. Não se pode criar meninas que se tornarão mulheres culpadas, não podemos permitir que meninas cresçam atadas às bigornas psicológicas. Falo isso, porque é assim que me sinto.  

Precisamos criar mulheres fortes, que “batam no peito” e assumam apenas o que está sob o controle delas. E parar de criar meninos que entregam o rumo de suas vidas e sua felicidade na mão das mulheres.

Se a culpa é minha, não coloco em quem eu quiser; se é sua, não coloque nos outros!

 Link para o artigo, não deixem de ler

quarta-feira, 7 de abril de 2021

 

Quem sou eu? Aonde estou? Pra onde vou?

Não sei ao certo nenhuma das respostas para as questões acima, mas sigo buscando. As únicas respostas que tenho na vida são a respeito de quem eu não quero ser, aonde não quero estar e pra onde não quero ir. Eu não sei o que quero, porém o que NÃO quero está bem delineado na minha mente. Sei o que NÃO aceito na minha vida, sei o tipo de pessoa com o qual NÃO quero me envolver.

Decidir o que queremos é mais difícil do que decidir o que não queremos. Não sei se é graças ao instinto de autopreservação - mesmo assim, sou grata ao meu eu interior, que sempre tá aqui, mostrando que nem tudo vale o desgaste.

Na terapia de hoje, veio o questionamento sobre os prós e os contras das decisões que tomei ultimamente. Pude enxergar que mesmo sendo lançada à solidão, sentir o gosto da liberdade é maravilhoso. Estar preso a algo ou alguém é enlouquecedor. Eu escolhi a mim antes de qualquer coisa, e fiz a coisa certa.

Hoje consigo separar o que me faz bem do que quero por capricho. Ser independente de verdade é libertador. Posso planejar algo ou não, a escolha será sempre minha e só afetará a mim. Eu decido por mim, escolho como quero, faço da maneira que gosto. Pode parecer bobagem, só que priorizar-se é a melhor sensação que existe.

Aprenda uma coisa, gafanhoto: viva e deixe viver, seja feliz consigo mesmo, e não se envolva com quem não é feliz sozinho. Não deixe que os outros tornem-se dependentes de você e jamais seja dependente de outra pessoa.  

quarta-feira, 24 de março de 2021

I JUST DON'T KNOW WHAT TO DO WITH MYSELF

 

    Quarta-feira, 22:52hs... Estou azul, literalmente- fui arrumar a caixa da descarga e o desinfetante da ave que gosta de nadar em lagos caiu em mim.
    A casa, uma bagunça – como sempre. Eu limpo, a cachorra vai lá e suja. Aí o gato corre, sobe na mansão de gatos, começa uma confusão de gatos e cachorros – um rosna e o outro late, chora, esperneia.
    Ah! E tem a maldita dor, né? Levei um puta tombo no domingo, estava limpando um dos tapetes – todo cagado! Escorreguei e caí, igual a um pitoco de bosta. Na hora nem doeu, mas no outro dia... e hoje... que inferno de dor nas costelas! Dói tanto que chega a me dar ânsia de vômitp! Não posso tomar anti-inflamatório não hormonal sem supervisão médica, nem opioides... Paracetamol? Pra dor que estou sentindo, nem cócegas faz. Moro há dois quarteirões do hospital do plano de saúde, só que a coragem pra encarar um local cheio de doentes com COVID-19 é zero!
    Vai continuar doendo, até parar de doer! E vai doer menos que o vazio existencial que sinto.
    Ah, e teve o ovo de páscoa da discórdia... que terminou no vácuo eterno de uma mente tentando esquecer.
    A briga no grupo do condomínio – não sei quem perdeu a chave, tocou os interfones aleatoriamente no meio da madrugada (eu tomei um comprimido extra de quetiapina, nem vi/ouvi!), então começa o debate dos que não foram na assembleia contra os que sempre vão, porque os porteiros estão afastados e deveria ter um porteiro reserva que não durma na guarita e... Blé!!!!
    As intermináveis reuniões do trabalho que nunca decidem nada!
    Estou completamente no modo automático de sobrevivência. Lembrei que não como desde o almoço. Engulo um salgado qualquer, tomando aquele suco em pó vagabundo (e que eu amo!) sabor guaraná.
    Fumo um cigarro – que pra mim ainda é Free Light. Talvez eu durma na sala, não terminei de arrumar a descarga, então, hoje não vai rolar banho, e sujar meu colchão está fora de questão.
    Quando a minha cama chegar (aquela que comprei em janeiro!) vou chorar de alegria... Três malditos meses dormindo no chão... e essa semana com o lado esquerdo do tronco todo fodido!
    Impaciência, cansaço, dor, vazio, tristeza, dor, preocupação, desilusão – dor!
    No aguardo por um amanhã melhor. Se pelo menos eu tivesse a beleza e a conta bancária da Kate Moss...
Boa noite! (?)

 

A música do meu dia: I Just Don't Know What To do With Myself - The White Stripes

quinta-feira, 4 de março de 2021

 Falando com as paredes

Me sinto triste e solitária. Estou cansada. As minhas escolhas não têm preenchido o vazio que me consome a cada dia. Talvez, eu esteja apodrecendo por dentro... Sei lá.

Eu não me arrependo das escolhas que fiz, mas a mudança dói. Acho que a solidão sempre existiu dentro de mim, sempre soube que a única pessoa com quem poderia contar na vida era eu mesma. Desde cedo, tenho a mania de debochar das situações merdas pelas quais eu passo. Faço graça com as minhas angústias, pois não fosse isso, já teria surtado. E com razão.

Meus traumas não são normais, são feridas que não cicatrizam mesmo ao passar de 35 longos anos. A maioria das pessoas com quem me relaciono não me entende, porque ninguém que não tenha passado pelo que vivi, vai conseguir se colocar no meu lugar. Tento ser leve, mesmo estando desesperada lá no fundo, mas entendo que para alguns, essa minha reação é difícil de digerir, parece desrespeito, insensibilidade etc.

Acho, sinceramente, que somos todos doentes – e não falo só da minha geração, que comprovadamente, é recorde em Transtornos Psiquiátricos, como TAG, Depressão. Estamos o tempo todo querendo que nos escutem, mas será que paramos para ouvir os outros o suficiente? Será que meu semelhante, ao me escutar, tem o que é preciso para me ajudar sem se comprometer emocionalmente?

Eu sempre me comprometo emocionalmente, e não consigo deixar de me envolver na dor dos que me são queridos. Hoje, vejo que esse é o meu maior erro – Sou toda ouvidos, contudo, não deveria. O tempo todo, meu pai me vem à mente, sempre com o mesmo discurso, me dizendo que eu não posso salvar o mundo. Naquela época, eu não entendia o que ele queria dizer, agora, entendo. A minha preocupação com o outro não ajuda ninguém, só atrapalha. E atrapalha num nível que atinge até a minha vida. O maior exemplo tem acontecido constantemente – estou mal, pedindo socorro, e ninguém me escuta, ninguém enxerga o que passo. A armadura que me colocam, impede que olhem para mim e enxerguem uma pessoa que também tem suas fragilidades. E eu sou frágil, caralho, eu também choro, também sangro!

    Tem horas que dá raiva de ter chegado onde estou, ser a pessoa “forte”, “guerreira” me fez ter dores invisíveis aos olhos dos outros. Eu também desmorono, sabe? Só que não parece. Eu também preciso de cuidado, de carinho, de aconchego. E o que sempre me sobra é pagar alguém pra me escutar por meia hora, porque só assim posso falar. Isso é triste, é uma vida solitária demais. Tem gente que olha pra mim e enxerga a “perfeição”, na verdade, sou só um tronco oco, mas a árvore que um dia existiu ali era enorme, então o vento não conseguiu derrubar – dentro do que um dia foi ela, tá tudo vazio.

    Estou quebrada, tentando juntar os cacos do bibelô que nunca fui.

    Sabe aquela pessoa pra quem você corre sempre quando está mal? Ela também sofre, tá! Ela também precisa ser cuidada, abraçada e escutar palavras gentis. Agradeça por tê-la em sua vida, e acolha quando for preciso, porque mesmo resiliente, mesmo aparentando ser forte, ela ainda é um Ser Humano! Tenha com os outros a mesma compaixão que dão a você.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

    E foi assim que me dei conta do quanto sou forte. Não que eu seja imbatível, mas eu me recomponho de cada tombo que levo, e acabo trazendo comigo mais um aprendizado.

    Dessa vez, aprendi que é preciso aceitar a finitude das coisas. Tudo acaba. Pode ser a vida de alguém, um relacionamento, um programa de TV, uma relação trabalhista, uma amizade, a tinta da sua caneta preferida, sentimentos... Nada é eterno, nem a água viva turritopsis nutricula, que é o ser vivo com maior regeneração celular existente (até então) na Terra.

    Consegui enxergar, finalmente, que o que importa, não é o quanto algo durou, mas se o período entre seu “nascimento” e sua “morte” foi bem aproveitado, foi real, foi completo e feliz. O quanto você amou aquela pessoa? Foi real, foi recíproco enquanto durou? Então valeu! Aquele parente/amigo/animal de estimação teve uma vida plena, feliz, e deixou algum fruto / mensagem / aprendizado pra sua história? Então valeu!

    Acho que quando focamos no pesar da finitude das nossas relações (especialmente) não damos valor para o que foi vivido plenamente. Não estou dizendo que terminar um relacionamento não dói. Dói, e muito, para ambos os lados. Mas por que temos o hábito de destacar a dor, em vez de levar em conta as boas memórias do que viveu? Entendo que nem todo relacionamento acaba numa boa, quando digo essas coisas, me refiro àqueles terminados de maneira “limpa”, “justa”, motivado porque um dos lados (ou os dois) chegou à conclusão que, de alguma forma, o sentimento transformou-se. O amor e a paixão tornaram-se um tipo de carinho e amizade, um sentimento fraterno. Às vezes isso acontece. O cotidiano maluco das pessoas faz as coisas esfriarem, e os casais se afastam do que lhes causava o fervor de antes. De repente, sem mais, nem menos, estão se tratando mais como bons amigos e o casamento só existe por comodismo, conveniência.

     Tem gente que não se incomoda de viver assim. Não julgo. EU não consigo. Preciso me sentir viva, me sentir desejada, preciso de carinho, de cafuné, aconchego, abraço, dormir de conchinha, passear no parque de mãos dadas... Como diz a música Minha Alma, composta por  Marcelo Yuka, do grupo O Rappa: “[...] Me abrace e me dê um beijo / Faça um filho comigo / Mas não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo, domingo [...]”

     Não sou contra a rotina, mas admito que viver sempre a mesma coisa me deixa infeliz. Os mesmos programas, os mesmos assuntos, as mesmas piadas, os mesmos problemas e reclamações, as mesmas críticas e lamentações. Isso me desgasta profundamente e vai me entristecendo até tornar-se insuportável.  A pandemia foi a gota d’água. Vinte e quatros horas por dia, sete dias da semana, ouvindo sempre as mesmas histórias, ficando invisível aos olhos que ali estavam nos mesmos horários. Era preferível dormir o dia todo a existir numa casa grande e vazia. Um lugar cheio de coisas, que ao mesmo tempo, não tinha nada. O pior, é que apenas eu me incomodava com aquilo. Só eu queria mudar as coisas. No meio disso tudo, que já existia antes, vieram o atual momento político e a pandemia, e era só desgraça, o dia todo.

     Tinha dias que eu olhava pra fora, pro quintal enorme, erguia a cabeça para ver o céu, os saguis e me perguntava o porquê de existir, por que eu não acabava com tudo logo? “Já que estamos perdidos. Não vale à pena trazer gente pra esse mundo, não vale à pena ser honesto, não vale à pena ser gentil... Estamos sozinhos, abandonados à própria sorte, somos odiados e bombardeados com a maldade humana o tempo todo. É preferível estarmos presos, aqui é mais seguro. ”

    Estava infeliz e não imaginava o quanto. Meu transtorno de ansiedade generalizada uniu-se à depressão. Tinha total consciência disso, havia chegado ao fundo do poço emocional. Precisava, urgentemente, fazer algo por mim. Precisava me libertar do que estava me apagando. Então eu procurei primeiro falar o que sentia, e não fui compreendida. Conversamos novamente sobre tudo o que ocorria, e novamente, novamente e novamente...

    Percebi que as coisas estavam daquele jeito e não mudariam nunca. Quem deveria mudar, era eu. Mudar as expectativas que tive no início, ou mudar completamente a minha vida. Sei que pra muita gente, isso parece egoísta, mas escolhi me fazer bem, voltar a ser plenamente eu, ser livre, ser feliz.

     Fechei um ciclo da minha vida, foi maravilhoso estar ali por tanto tempo, porém, recomeçar também é bom. Respirar novos ares, arriscar, sem medo e sem culpa. Isso é viver! Eu fui feliz ali, nunca direi o contrário, entretanto, para voltar a ser EU, precisei abrir mão de tudo, porque estava sendo mais o outro, e não ser você é triste, é cruel. Sempre fui uma pessoa “colorida”, aos poucos fui tornando-me sombria, negativista, reclamona, vazia. Consegui me libertar e ainda bem que restava um dedinho de arco íris em mim, porque aos poucos, vou deixar que as cores tomem conta da minha vida novamente.

A mensagem do dia é essa: NÃO TENHA MEDO DE QUEBRAR COISAS PARA RECONSTRUÍ-LAS DEPOIS. VOCÊ CONSEGUE, FORÇA NA PERUCA! 

Dica de duas músicas que sempre me animam nas horas de desespero:

Angra - Carry On

Masterplan – Spirit Never Die